O Google está intensificando sua estratégia de manter o usuário dentro de seu ecossistema, com atualizações significativas em seu modo de IA, no Google Maps e no Search Console. Essas mudanças impactam diretamente a visibilidade de conteúdos externos e a forma como as empresas podem ser descobertas, sinalizando um futuro onde a jornada de busca se torna cada vez mais integrada às plataformas do próprio Google.
A mais recente onda de inovações, divulgada em relatórios e anúncios oficiais, aponta para um Google que processa informações de maneira mais profunda e apresenta resultados de forma mais interativa e personalizada. A questão central é como proprietários de sites, empresas locais e criadores de conteúdo se adaptarão a essa nova paisagem de busca, onde a concorrência não é apenas com outros sites, mas também com as próprias ferramentas do Google.
Conforme detalhado pelo SEO Pulse, as atualizações recentes indicam um movimento estratégico do Google para priorizar seus próprios resultados e propriedades. Essa tendência, que se consolida com as novas funcionalidades, exige uma análise cuidadosa por parte de profissionais de SEO e donos de negócios para garantir que continuem relevantes em um cenário em constante evolução.
AI Mode Aumenta Autocitações e Direciona para Resultados Orgânicos
Um relatório da SE Ranking revelou um aumento expressivo nas autocitações do Google dentro do seu próprio modo de IA, também conhecido como AI Overviews. Em nove meses, as citações de propriedades do Google passaram de 7% para 21% de todas as referências feitas. O mais notável é a mudança no destino desses links: enquanto antes eles apontavam majoritariamente para o Google Business Profile, agora uma parcela maior direciona para as páginas de resultados orgânicos do próprio Google.
Essa mudança representa uma consolidação da estratégia do Google em reter o usuário em suas plataformas. Ao citar mais seus próprios resultados orgânicos, o Google diminui a necessidade de enviar tráfego para sites externos, criando um ciclo de informação cada vez mais autossuficiente. Mordy Oberstein, head de marca da SE Ranking, comentou no LinkedIn que essa tendência, onde “17% de todas as citações são para o Google, bem mais do que qualquer outra fonte”, indica que a estratégia não é mais apenas uma questão local, mas sim uma abordagem abrangente.
Para os proprietários de sites, isso significa que a concorrência por cliques em resultados de IA pode se tornar mais acirrada, com menos links externos sendo apresentados. A necessidade de otimizar o conteúdo para aparecer de forma proeminente nos resultados orgânicos do Google se torna ainda mais crucial, pois é para lá que o AI Mode está direcionando cada vez mais atenção.
Google Maps Lança “Ask Maps” com Gemini para Recomendações Conversacionais
O Google Maps introduziu o “Ask Maps”, um novo recurso que utiliza a inteligência artificial Gemini para permitir que usuários façam perguntas em linguagem natural sobre locais e recebam recomendações diretamente no mapa. Essa funcionalidade busca oferecer uma experiência de descoberta mais intuitiva e personalizada, aproveitando o vasto banco de dados de locais e avaliações do Google.
O “Ask Maps” considera o histórico de buscas e locais salvos do usuário para refinar suas sugestões, tornando-o uma ferramenta poderosa para quem busca informações locais. Atualmente disponível nos Estados Unidos e na Índia, a novidade representa uma oportunidade para negócios que investiram em seus perfis e avaliações, pois seus estabelecimentos podem ser destacados de forma mais proeminente e contextualizada.
No entanto, o Google ainda não detalhou os critérios exatos para a seleção de negócios recomendados, nem se pretende monetizar esse espaço. Essa falta de transparência levanta questões sobre a equidade do sistema e como as empresas podem otimizar sua presença para serem encontradas através desta nova interface conversacional. A expectativa é que mais detalhes sobre a funcionalidade e seu impacto no SEO local sejam divulgados em breve.
Google Agora Interpreta Áudio e Vídeo Diretamente, Ampliando o Alcance da Busca
Liz Reid, chefe de Busca do Google, revelou em uma entrevista ao Access Podcast que os modelos de IA multimodais da empresa agora permitem que o Google compreenda e indexe o conteúdo de áudio e vídeo de forma direta, indo além da simples leitura de transcrições. Isso abre novas portas para a descoberta de conteúdo em formatos que historicamente apresentavam desafios para a indexação e classificação em buscas.
Essa capacidade aprimorada significa que o Google pode analisar o estilo, a profundidade e o significado do conteúdo audiovisual, não apenas metadados ou transcrições. Reid também mencionou a possibilidade de o Google priorizar conteúdo paywall para usuários que já são assinantes de determinados publicadores. Essa funcionalidade, chamada de “subscription-aware ranking”, poderia impulsionar a visibilidade de conteúdo pago para seu público-alvo.
Para criadores de podcasts e vídeos, essa evolução é particularmente significativa, pois pode finalmente conferir a devida importância a esses formatos nas buscas. A capacidade de o Google processar o conteúdo “real” de áudios e vídeos, conforme destacado por Slobodan Manić, co-fundador da Web Performance Tools, promete uma nova era de visibilidade e descoberta para um universo de conteúdo até então subvalorizado nas plataformas de busca. A busca cross-language e a compreensão de nuances de conteúdo são avanços notáveis.
Filtro de Consultas de Marca no Search Console Agora é Universal
O filtro de consultas de marca (branded queries) no Google Search Console, que utiliza inteligência artificial para distinguir entre buscas que incluem o nome da sua marca e buscas genéricas, está agora disponível para todos os sites elegíveis. John Mueller, defensor da comunidade do Google, esclareceu que o filtro é capaz de identificar erros de digitação e buscas que contêm apenas o nome do produto automaticamente.
Essa funcionalidade elimina a necessidade de usar expressões regulares (regex) para segmentar o tráfego de marca e não-marca, simplificando a análise. Agora, é mais fácil para os proprietários de sites entenderem se o crescimento do tráfego vem de novas descobertas ou de usuários que já conhecem e buscam ativamente pela sua marca. Eli Schwartz, autor de “Product-Led SEO”, comentou no LinkedIn que isso permite que equipes de SEO demonstrem seu impacto em “non-brand” e que a liderança possa filtrar o “ruído da marca” que algumas equipes usam para mascarar resultados.
Embora o filtro seja uma ferramenta valiosa, o Google não planeja permitir que os proprietários de sites personalizem quais consultas são consideradas de marca. A classificação é feita inteiramente pela IA do Google, o que, segundo Roger Montti, pode tornar um formulário manual de submissão menos útil do que garantir a precisão da própria classificação por IA. A ausência de suporte para sub-propriedades e sites com poucas impressões ainda é uma limitação.