Gigantes da Tecnologia Ditão as Regras do SEO: Como 3 Plataformas Dominam 73% do Mercado e Moldam o Futuro da Otimização Web - SLV Notícias

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Gigantes da Tecnologia Ditão as Regras do SEO: Como 3 Plataformas Dominam 73% do Mercado e Moldam o Futuro da Otimização Web

A Ascensão Silenciosa dos Titãs das Plataformas: Como WordPress, Shopify e Wix Controlam o SEO Técnico de Mais de 70% da Web

Uma análise profunda de 17 milhões de websites, detalhada no último capítulo do Web Almanac, aponta para uma realidade surpreendente no mundo do SEO: o poder de influência individual de profissionais da área é consideravelmente menor do que as configurações padrão de grandes plataformas de gerenciamento de conteúdo (CMS). Segundo Chris Green, coautor do estudo, para gerar um impacto significativo em escala global, é preciso atuar diretamente em sistemas como WordPress, Wix ou Shopify, que hoje ditam as regras técnicas para a vasta maioria da internet.

Essa concentração de poder nas mãos de poucas empresas não é um fenômeno recente, mas sua magnitude e as implicações para o SEO são temas que merecem atenção redobrada. A forma como os sites são construídos e otimizados tecnicamente está cada vez mais atrelada às decisões de engenharia dessas plataformas, moldando os padrões de SEO para milhões de páginas sem que seus criadores individuais sequer percebam.

A pesquisa do Web Almanac, que rastreou a evolução do mercado de CMS ao longo de uma década, revela uma mudança drástica na paisagem digital. Se antes a maioria dos sites operava sem um CMS definido ou era construída em plataformas mais antigas, hoje, a web é majoritariamente impulsionada por sistemas que definem, por padrão, muitas das práticas de SEO técnico. Compreender essa dinâmica é crucial para qualquer profissional ou empresa que busca visibilidade online.

A Concentração de Poder e o Domínio das Plataformas de CMS

Em 2015, o cenário era bastante diferente. O WordPress detinha 23,3% de todos os sites, Shopify e Wix mal apareciam com 0,3% e 0,1%, respectivamente, e 61,7% da web não utilizava nenhum CMS rastreável. Contudo, a década seguinte testemunhou uma transformação radical. O WordPress, embora ainda dominante, viu seu crescimento desacelerar e até mesmo uma leve contração em sua participação de mercado em 2025. Em contrapartida, plataformas como Shopify e Squarespace experimentaram um crescimento exponencial.

O Shopify saltou de uma participação insignificante para 7,2% em 2025, um aumento impressionante de 929%, enquanto o Squarespace alcançou 3,4%. Em contraste, gigantes mais antigos como Joomla e Drupal, que outrora dividiam uma fatia considerável do mercado, hoje somam menos de 3%. Essa migração massiva para plataformas mais modernas e de fácil uso resultou em uma realidade onde o WordPress, Shopify e Wix, juntos, controlam aproximadamente 73% do mercado de CMS. O volume de negócios dessas empresas, com receitas combinadas ultrapassando os 13,5 bilhões de dólares em 2025 apenas entre Shopify e Wix, financia equipes de engenharia que definem os padrões de SEO para milhões de sites simultaneamente.

Um dado particularmente revelador é que, em 2015, 61,7% dos sites não utilizavam um CMS rastreável. Em 2022, essa porcentagem caiu para 28,9%, indicando que a participação do WordPress em todos os sites já superava a categoria “Nenhum”. Essa mudança de uma web predominantemente não gerenciada para uma web impulsionada por plataformas levanta questões importantes sobre quem realmente detém o controle das fundações técnicas da internet e como isso afeta a otimização para motores de busca.

Onde o SEO Realmente Acontece: Padrões de Plataforma vs. Otimização Individual

A análise do Web Almanac destacou um achado surpreendente: muitos dos padrões técnicos de SEO em uma vasta parcela da web são definidos pelas próprias plataformas e seus plugins, e não por otimizações site a site. O uso de tags canônicas, por exemplo, atingiu 68% das páginas desktop, um aumento que acompanha a adoção de CMS, e não necessariamente um esforço individual de otimização. Da mesma forma, o uso de meta robots cresceu para 47%, seguindo a mesma tendência.

Um exemplo claro é o plugin Yoast SEO, que roda em quase 16% de todos os sites desktop e é responsável por quase 70% do uso de ferramentas de SEO identificadas. O Yoast, por padrão, aplica as diretivas `index,follow`, que, embora tecnicamente desnecessárias na maioria dos casos, aparecem em 64% das páginas desktop. A explicação mais provável para essa prevalência é a configuração padrão do plugin sendo aplicada em milhões de sites sem intervenção individual. Outro caso notável é o arquivo `llms.txt`, um novo padrão para crawlers de IA. Dos sites que o implementaram, quase 40% o fizeram através do plugin All in One SEO como uma funcionalidade padrão, levantando dúvidas se a adoção é sempre um ato consciente.

A questão se estende a dados estruturados e otimização de imagens. Enquanto páginas iniciais recebem atenção manual, páginas internas dependem de templates de CMS que podem, por vezes, duplicar marcações ou não otimizar imagens adequadamente. No caso de imagens, 68% dependem de padrões do navegador, pois a maioria dos sites não tomou uma decisão ativa sobre o carregamento lazy loading, deixando essa tarefa para a plataforma. Até mesmo a validade de arquivos `robots.txt` melhorou para 85%, impulsionada pela geração automática de arquivos válidos pelas plataformas, embora o conteúdo frequentemente seja um wildcard genérico, sem configuração específica.

O Paradoxo do Desempenho: Padronização vs. Rankings e a Experiência do Usuário

O cenário de desempenho e rankings apresenta um paradoxo interessante. Apesar de plataformas como Wix e Shopify apresentarem taxas de aprovação significativamente mais altas em Core Web Vitals (75% e 77,95%, respectivamente) e o Wix atingir pontuação máxima em Lighthouse SEO, o WordPress continua sendo a plataforma dominante entre os sites com melhor ranking, respondendo por 49% dos sites que utilizam CMS. Isso sugere que, embora os padrões das plataformas possam definir um piso de desempenho, a otimização avançada e um bom servidor ainda são cruciais para alcançar o topo.

Sites WordPress de ponta frequentemente investem em hospedagem premium e otimizações cuidadosas, o que explica seu bom desempenho geral. Em contrapartida, a média da plataforma é puxada para baixo por sites em hospedagens compartilhadas com plugins não otimizados, onde muitos falham em Core Web Vitals devido a tempos de resposta do servidor. Plataformas gerenciadas, como Wix e Duda, tendem a oferecer resultados mais consistentes por controlarem toda a pilha tecnológica, minimizando a variabilidade que afeta a média do WordPress. O Shopify, apesar de ser focado em e-commerce, com desafios inerentes de performance, também apresenta bons índices, embora com limitações estruturais de SEO, como prefixos de URL obrigatórios e limites de redirecionamento, que exigem expertise humana para serem contornados.

A conclusão é que os padrões das plataformas estabelecem o ponto de partida e a média, mas a expertise profissional ainda define o teto de performance e otimização. É nesse espaço que o trabalho de consultoria em SEO continua a agregar valor. Para os milhões de sites em plataformas gerenciadas, o SEO técnico básico já está resolvido. O trabalho de alto valor se desloca para as bordas: consultorias de migração, auditoria de padrões de plataforma e o gerenciamento da visibilidade em IA, um campo onde as plataformas ainda não conseguem oferecer soluções completas para seus usuários.

WordPress em um Ponto de Virada: Governança e o Futuro da Maior Plataforma Web

O WordPress, apesar de sua vasta participação de mercado, encontra-se em um momento crítico. Desde 2022, a plataforma tem visto uma contração em sua fatia de mercado, atribuída à saturação e à concorrência crescente. A disputa entre o WordPress.org e a WP Engine em setembro de 2024, que levou à remoção de recursos e, posteriormente, à tomada do plugin Advanced Custom Fields pela Automattic, expôs uma crise de governança sem precedentes em seus 21 anos de história. Essa intervenção, contestada judicialmente, abalou a confiança na estabilidade e no controle descentralizado do projeto.

Paralelamente, a Automattic, principal mantenedora do WordPress, tem enfrentado dificuldades financeiras e cortes significativos em sua força de trabalho e contribuições para o projeto open-source. Relatos indicam uma redução drástica nas horas dedicadas ao desenvolvimento open-source, historicamente um pilar da contribuição da Automattic. Essa diminuição na velocidade de desenvolvimento e a incerteza na governança levantam preocupações sobre o futuro do WordPress, especialmente considerando que 43% da web ainda depende dessa plataforma. A concentração de poder nas mãos de poucas entidades, como evidenciado pela disputa com a WP Engine e a saída de figuras importantes da comunidade, como Joost de Valk, fundador do Yoast SEO, sinaliza um risco de concentração que muitos profissionais de SEO ainda não precificaram.

Embora a contração de mercado do WordPress tenha começado antes das disputas de governança, esses eventos tornaram explícito o risco inerente a um ecossistema tão dependente de decisões centralizadas. Para consultores e empresas que aconselham clientes sobre escolhas de plataforma, o cenário político e de desenvolvimento do WordPress agora deve ser um fator crucial a ser considerado. A confiança na capacidade do WordPress de inovar e manter sua liderança está sendo testada, e o futuro da maior plataforma da web pode depender de como esses desafios de governança e desenvolvimento serão abordados nos próximos anos.

Jefferson Silva

Jefferson Silva