Instituições mudam alocação em 2026, apostam em 'single B' de curta duração e vasculham o 'S&P 495' por alfa, dizem BlackRock, J.P. Morgan e gestores na XP Global - SLV Notícias

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Instituições mudam alocação em 2026, apostam em ‘single B’ de curta duração e vasculham o ‘S&P 495’ por alfa, dizem BlackRock, J.P. Morgan e gestores na XP Global

Instituições mudam alocação em 2026, apostam em ‘single B’ de curta duração e vasculham o ‘S&P 495’ por alfa, dizem BlackRock, J.P. Morgan e gestores na XP Global

Gestores apontam os títulos ‘single B’ de curta duração como refúgio de renda fixa, e enxergam nas outras 495 empresas do índice, o ‘S&P 495’, fonte de alfa.

Há consenso entre gestores e economistas de que o investidor passivo pode ficar sem espaço se não olhar além dos índices concentrados.

A recomendação mudou, com grande alocação indo para renda fixa privada, crédito de médio grau e alternativas, por menor volatilidade intradiária.

No encontro em Miami, participantes destacaram que a estratégia atual foca em rendimento e sobrevivência, e não em buscar o preço mais baixo, conforme informações divulgadas na XP Global Conference em Miami.

Por que o single B de curta duração virou porto seguro

Gestores como Peter Vecchio, do BNP Paribas, defenderam que o novo “porto seguro” não é necessariamente o triplo A, e sim o crédito de qualidade média com vencimento curto.

A lógica é simples, explicam os especialistas, o investidor está se concentrando no cupom, não na valorização do preço do papel, porque com incerteza, o que se paga para esperar importa mais.

Nas palavras de Vecchio, “Você é pago para esperar enquanto a volatilidade passa”, mostrando que a estratégia privilegia fluxo de caixa estável e proteção pela duração reduzida.

Recuperação versus compensação, e o papel das agências

O debate também criticou a velocidade das agências de rating, que muitas vezes estão um passo atrás do mercado e focam na “recuperação”, quanto sobra em caso de quebra.

Gestores preferem avaliar a “compensação”, ou seja, a capacidade da empresa de gerar caixa para não quebrar, e assim precificam mudanças de forma antecipada.

Mark Benbow, da Aegon, ressaltou que “cerca de 25% do mercado de high yield nos EUA, hoje, é composto por empresas não-classificadas (unrated)”, dado que ilustra como grandes corporações às vezes optam por não pagar pelo selo das agências.

O despertar do S&P 495, IA e a busca por alfa fora das mega-caps

No painel sobre ações, Nathan Chinsky, da BlackRock, e Nick Angelo, do J.P. Morgan, apontaram que a concentração nas cinco maiores empresas, que somam 30% do índice, abre oportunidades fora do radar.

Chinsky descreveu o momento como “fantástico para gerar alfa”, porque a volatilidade e a dispersão permitem identificar vencedores entre as outras 495 empresas do S&P 500, o que a imprensa apelidou de S&P 495.

Além disso, Angelo defende diversificação geográfica, do conceito “only US” para um “US plus” que inclua Japão e emergentes, enquanto a corrida por infraestrutura de IA acelera com investimentos gigantescos.

Os gestores também compararam a escala atual de gasto com IA a programas históricos, lembrando que o programa espacial Apollo custou cerca de US$ 250 bilhões (em valores trazidos a valor presente), e que hoje o mundo gasta o equivalente a dois programas Apollo por ano apenas em infraestrutura de IA, reforçando a ideia de mudança estrutural, não bolha.

Por fim, a transformação do mercado de alternativos abriu portas para investidores de varejo, com instituições como a Blue Owl propondo oferecer os mesmos portfólios para clientes institucionais e de varejo, sem “escolher cerejas” diferentes para cada canal.

Jefferson Silva

Jefferson Silva