Jeitto: inadimplência do FIDC administrado pelo Master explode, disputa por waiver e acusação de 'estrutura fiscal ineficiente' que teria custado R$ 200 milhões - SLV Notícias

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Jeitto: inadimplência do FIDC administrado pelo Master explode, disputa por waiver e acusação de ‘estrutura fiscal ineficiente’ que teria custado R$ 200 milhões

Jeitto: inadimplência do FIDC administrado pelo Master explode, disputa por waiver e acusação de ‘estrutura fiscal ineficiente’ que teria custado R$ 200 milhões

Jeitto enfrenta aumento abrupto da inadimplência no FIDC administrado pelo Master, carteira de quase R$ 1,1 bilhão com R$ 879,56 milhões em atraso, e disputa sobre recompras e estrutura fiscal

Jeitto, fintech focada em crédito para as classes C e D, viu a inadimplência do seu principal veículo de financiamento disparar de forma repentina.

O problema ocorre no FIDC Jeitto, administrado pelo Banco Master, e envolve falta de pagamentos, um waiver aprovado e acusações sobre custos adicionais da estrutura do fundo.

Os números e controvérsias do caso foram relatados e registrados em documentos públicos, conforme informações da CVM e do NeoFeed.

Dados da carteira e a magnitude da crise

De acordo com a Comissão de Valores Mobiliários, do total da carteira de crédito de quase R$ 1,1 bilhão no Master, R$ 879,56 milhões estavam inadimplentes no fim de outubro, contra apenas R$ 201,04 milhões em dia.

Essa porção dos créditos inadimplentes sofreu um aumento de 67% em relação ao mês de abril e de 146% em relação ao início deste ano, enquanto os créditos adimplentes do FIDC caíram 60% e 70%, respectivamente.

O FIDC Jeitto tem patrimônio líquido estimado em R$ 481,7 milhões, e é o maior entre os 52 administrados pelo Master, segundo levantamento da Uqbar, e desde outubro de 2024 o veículo não recebia novos aportes.

Disputa entre Jeitto e Banco Master por recompras e waiver

A piora da qualidade da carteira levou a uma batalha entre a fintech e o Master nos últimos meses. A administradora, instituição de Daniel Vorcaro, notificou a Jeitto pelo não pagamento dos créditos com mais de 90 dias de inadimplência, uma condição que, segundo o Master, estava prevista em anexo do regulamento do fundo.

A interrupção dos pagamentos ocorreu antes de maio deste ano, quando, por meio de uma Assembleia Geral Extraordinária, foi concedido um waiver até o fim de setembro, tirando a obrigatoriedade da recompras dos créditos com mais de 90 dias de inadimplência.

Defesa da Jeitto e alegação sobre custos

Em documento público com justificativas para obter o waiver, a Jeitto afirmou que a estrutura do FIDC era “fiscalmente ineficiente” e que lhe custou R$ 200 milhões em três anos em “impostos adicionais e custos de funding adicionais (versus uma estrutura de mercado)“.

A fintech vem usando esse argumento para justificar a suspensão das recompras e para pleitear soluções temporárias, enquanto a administradora aponta descumprimento de regras do regulamento.

Impactos e o que observar a seguir

A escalada da inadimplência no FIDC Jeitto pode afetar investidores, a liquidez do fundo e a reputação da fintech. A ausência de aportes desde outubro de 2024 aumenta a pressão sobre a estrutura do veículo.

As próximas etapas incluem possíveis renegociações, posições formais de credores e decisões regulatórias ou judiciais, e o mercado acompanhará com atenção a evolução da carteira e eventuais novos esclarecimentos do Master e da Jeitto.

Jefferson Silva

Jefferson Silva