As favelas do estado revelam uma combinação de ruas apertadas, falta de árvores e quase inexistente infraestrutura de acessibilidade, que complica a vida diária de moradores.
Em muitos locais, o acesso é restrito a bicicletas, motos ou a pé, a pavimentação é desigual e a drenagem deixa lacunas, com impacto direto em mobilidade e saúde pública.
Os números fazem parte de um levantamento oficial, conforme dados divulgados pelo IBGE.
Acesso às vias e circulação, o mapa das restrições
Os dados mostram que 109,3 mil pessoas vivem em 161 favelas e comunidades urbanas de Santa Catarina, distribuídas por 24 municípios, e a maior parte, cerca de 106,2 mil, mora em domicílios particulares permanentes, enquanto fora dessas áreas o estado tem 3,3 milhões de moradores.
Na comparação entre o dentro e fora das favelas, a diferença é marcada, 10,7% dos moradores das favelas catarinenses viviam em locais onde só é possível chegar de bicicleta, moto ou a pé, contra apenas 0,34% fora dessas áreas.
A média nacional é ainda maior, 19,2% nas favelas contra 1,4% fora delas, e em uma situação extrema, em Nova Descoberta, em Florianópolis, 100% dos moradores vivem em vias onde só passam motos, bicicletas e pedestres.
Ao mesmo tempo, 65,2% dos moradores das favelas vivem em ruas onde caminhões e ônibus conseguem circular, contra 95,4% fora dessas áreas, o que evidencia uma diferença importante na infraestrutura viária.
Há exceções positivas, Navegantes aparece entre os três municípios do Brasil com menor desigualdade nesse ponto, com 96,44% de vias amplas nas favelas, praticamente o mesmo índice das demais áreas da cidade, 94,5%.
Pavimentação e drenagem, desigualdade nas ruas
A pavimentação também revela contrastes, 69,7% dos moradores de favelas vivem em ruas pavimentadas, enquanto 87,8% das pessoas fora dessas áreas têm pavimentação.
Apesar disso, 37 das 161 localidades estudadas têm 100% das moradias em ruas pavimentadas, incluindo favelas de Balneário Camboriú, Blumenau, Chapecó, Coronel Freitas, Florianópolis, Gaspar, Itajaí e São José.
Na drenagem urbana a diferença persiste, fora das favelas Santa Catarina tem o melhor índice do Brasil, 90,62% dos moradores têm bueiros e bocas de lobo próximos de seus domicílios, enquanto nas favelas o percentual cai para 61,8%.
Acessibilidade e arborização, pontos mais críticos
O cenário de acessibilidade é preocupante, apenas 1% dos moradores afirmam ter rampas para cadeirantes nas ruas onde vivem, número menor que a média nacional, 2,4%.
Em contrapartida, fora dessas áreas Santa Catarina registra 24,5% das vias com rampas, acima da média do país, 18,5%, o que ressalta a desigualdade interna entre bairros.
A arborização nas favelas é o pior indicador do estado, apenas 22,9% das moradias em favelas de Santa Catarina ficam em ruas com árvores, o menor percentual do Brasil, enquanto entre os moradores fora das favelas esse número sobe para 43,61%.
O que esses números significam e próximos passos
Esses indicadores mostram que as favelas de Santa Catarina enfrentam barreiras estruturais que afetam mobilidade, segurança e qualidade de vida, com impacto maior sobre idosos, crianças e pessoas com deficiência.
Melhorar o acesso, ampliar pavimentação, garantir drenagem adequada, implantar rampas e plantar árvores são medidas que exigem coordenação entre municípios, estado e sociedade civil.
O levantamento do IBGE oferece um ponto de partida para projetos urbanos focados em reduzir desigualdades e tornar as ruas mais seguras, acessíveis e verdes para quem vive nas favelas.